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Embalagens do futuro: Cazoolo mostra como inovação e sustentabilidade andam juntas


A busca por soluções sustentáveis no setor de embalagens tem ganhado força nos últimos anos, impulsionada por consumidores mais conscientes e pela necessidade de reduzir impactos ambientais. De acordo com um levantamento da ONU, cerca de 36% de todo o plástico produzido globalmente é utilizado para embalagens, e grande parte desse volume acaba como resíduo em aterros ou no meio ambiente.

No Brasil, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apenas 4% dos plásticos são efetivamente reciclados. Diante desse cenário, iniciativas como o Cazoolo, da Braskem, têm se destacado ao propor soluções inovadoras para a economia circular.

O Cazoolo já desenvolve projetos de embalagens sustentáveis para empresas como Evino e iFood. Segundo Fabio Sant’Ana, responsável por Desenvolvimento de Mercado e Novos Negócios no Cazoolo, um dos responsáveis pelo projeto, o tempo para desenvolver uma solução completa varia conforme as especificidades de cada cliente, mas o principal serviço oferecido é o “Circular Design Sprint”. “Esse é um sprint de design adaptado para a circularidade, trazendo elementos como avaliação do ciclo de vida, olhar para o pós-consumo e cadeia circular, incorporados ao design sprint tradicional”, explica o executivo.

A dinâmica tem duração de cinco dias, podendo ser realizada em uma semana ou distribuída ao longo de até um mês. Nos primeiros dias, ocorre a geração de propostas, seguida pelo desenvolvimento de protótipos. No terceiro ou quarto dia, são feitos validações e ajustes, com a entrega final no quinto dia. “Nosso objetivo é reunir todas as partes interessadas para um processo ágil e rico em insights. A prototipagem rápida permite chegar à prova de conceito (PoC) com um investimento inicial reduzido, acelerando a tomada de decisão”, destaca Fábio.

Propósito com design

Criado oficialmente em agosto de 2022, o Cazoolo surgiu para ampliar o protagonismo da Braskem em projetos de circularidade. “Desde antes da criação do Cazoolo, já desenvolvíamos soluções sustentáveis, mas entendemos que precisávamos de um espaço dedicado exclusivamente a isso”, conta Fábio. Apesar de ser uma iniciativa da Braskem, o Cazoolo tem identidade própria, permitindo uma comunicação mais flexível e direta sobre reciclabilidade e design circular.

Nos últimos anos, o Cazoolo tem sido reconhecido por sua atuação, recebendo prêmios importantes como o de Iniciativa ESG de 2022 e o Prêmio Internacional de Inovação e Design. A meta é acelerar a transição para um modelo mais sustentável e ampliar a colaboração entre empresas. “Já trabalhamos com projetos envolvendo até seis empresas simultaneamente, cada uma contribuindo com sua expertise. Nosso papel é facilitar esse processo e fomentar parcerias”, explica Fábio.

O interesse do mercado pela economia circular tem crescido, mas ainda há desafios. “Nos últimos dois anos e meio, mais de 400 empresas passaram pelo Cazoolo, e muitas delas desenvolveram projetos conosco. Algumas estão mais avançadas na jornada, enquanto outras ainda precisam compreender melhor o conceito antes de darem os primeiros passos”, afirma. Para apoiar essa transição, o Cazoolo também promove workshops e sensibilizações para ajudar empresas a identificar oportunidades e construir parcerias futuras.

Case iFood

O Cazoolo firmou uma parceria com o iFood para criar uma solução inovadora no setor de delivery. O projeto, que visa a implementação de embalagens reutilizáveis, é fruto de anos de estudo sobre economia circular e experiência do consumidor. Fábio explicou que a iniciativa surgiu quando o iFood demonstrou interesse em desenvolver embalagens mais sustentáveis. “O iFood vinha firmando compromissos ambientais e buscava soluções para reduzir o impacto das embalagens descartáveis. Vimos uma oportunidade de provocação ao mercado e de promover a adoção do reuso”, afirmou Santana.

Antes de iniciar o projeto com o iFood, o Cazoolo já havia testado soluções similares com outras marcas. No entanto, alguns desafios logísticos impediram a ampliação da iniciativa. “Aprendemos muito, especialmente sobre os detalhes da jornada do consumidor e dos chamados ‘stakeholders invisíveis’”, destacou Santana.

A parceria com o iFood levou em consideração esses aprendizados, com um olhar sistêmico para produto, serviço e jornada do usuário. “Antes de criar a embalagem, fizemos entrevistas com diversas áreas do iFood para entender as principais reclamações dos consumidores e os desafios da logística”, contou Santana.

O objetivo foi garantir que a sustentabilidade não fosse um obstáculo, mas sim um diferencial positivo. “A sustentabilidade não pode ser chata ou dificultar a experiência do consumidor. A nova embalagem precisava ser, no mínimo, tão eficiente quanto a descartável e, de preferência, mais envolvente e engajadora”, afirmou.

A embalagem reutilizável desenvolvida pela parceria começa a ser testada em algumas regiões, com o potencial de transformar o mercado de delivery e incentivar o consumo consciente. “Estamos dando um passo importante para a economia circular e mostrando que é possível inovar com responsabilidade ambiental e viabilidade econômica”, concluiu Santana.

Relação com a Braskem e desafios na comunicação

Criado em agosto de 2022, o Cazoolo nasceu como uma iniciativa da Braskem para ampliar sua atuação na economia circular. “Desde antes da criação do hub já desenvolvíamos soluções de circularidade, mas entendemos que precisávamos tomar um protagonismo ainda maior”, diz Fábio.

Embora esteja ligado à Braskem, o Cazoolo tem uma identidade própria, o que permite uma comunicação mais flexível e acessível ao público. “A Braskem continua a comunicar institucionalmente, mas o Cazoolo nos permite trazer essas inovações com uma abordagem diferente”, destaca. O trabalho da iniciativa já foi reconhecido com prêmios importantes, como o de Iniciativa ESG de 2022 e o Prêmio Internacional de Inovação e Design, posicionando o projeto entre os três principais da América Latina.

Com a crescente pressão para que empresas adotem práticas sustentáveis, a economia circular ganha cada vez mais espaço. “A economia linear já está bem estabelecida, e cada elo da cadeia opera dentro de sua zona de conforto. Quando falamos de circularidade, estamos tratando de mudanças profundas em toda a jornada — do consumidor às empresas e à logística”, afirma Fábio.

A proposta do Cazoolo é justamente conectar esses pontos e estimular colaboração entre empresas para viabilizar transformações mais rápidas e efetivas. “Como uma empresa com presença relevante no Brasil e nas Américas, temos a responsabilidade de impulsionar essa transformação”, diz. Ele explica que a iniciativa atua como um hub, reunindo diferentes empresas para desenvolver projetos conjuntos. “Alguns dos nossos projetos já envolveram até seis empresas simultaneamente, cada uma contribuindo com sua expertise”, conta.

Insights a partir do case iFood

Durante os testes realizados com restaurantes e consumidores no case do iFood, diversos insights foram obtidos sobre as principais preocupações e necessidades em relação às embalagens de delivery.

1. Insights sobre o consumidor:

Inicialmente, a hipótese era de que a principal reclamação dos consumidores seria a comida chegar fria. No entanto, os testes indicaram que o fator mais crítico para os consumidores brasileiros é a estanqueidade da embalagem – ou seja, ela não pode vazar de forma alguma. “Além disso, os consumidores demonstraram grande preocupação com a integridade da comida na chegada. Embora seja comum misturarmos arroz e feijão no prato, os consumidores querem que os alimentos cheguem organizados, permitindo que a mistura seja feita por eles, e não pelo transporte. Esses aspectos foram cruciais para o desenvolvimento da embalagem”, contou Fábio.

2. Insights sobre os restaurantes:

Para os restaurantes, a embalagem não pode dificultar a operação. Testes mostraram que o sistema de abertura e fechamento deve ser intuitivo e eficiente, reduzindo o tempo gasto pelos funcionários. Além disso, os restaurantes nem sempre priorizam a sustentabilidade, mas seguem as preferências do consumidor. Por isso, garantir uma experiência superior e manter a eficiência operacional são fatores decisivos.

Outro ponto identificado foi a necessidade de pensar na circularidade das embalagens. Por exemplo, em caso de quebra da tampa, permitir sua substituição sem descartar toda a embalagem. Além disso, evitar o uso excessivo de adesivos e lacres que comprometem a reutilização.

3. Adaptação à mentalidade do consumidor sobre reuso:

Os testes também analisaram o comportamento dos consumidores em relação ao reuso das embalagens. Foi realizada uma dinâmica com consumidores de diferentes regiões para mapear suas preferências na jornada de compra e pós-consumo. Alguns aprendizados fundamentais foram:

A maioria dos consumidores prefere a retirada da embalagem em casa, em vez de devolvê-la em pontos de coleta.

Um percentual significativo opta pelo agendamento com horário marcado, para encaixar a devolução na rotina semanal.

Os consumidores demonstram maior adesão a sistemas que oferecem cashback ou penalizações pelo não retorno da embalagem.

“Com esses aprendizados, foi possível definir junto ao iFood a jornada ideal do consumidor para tornar o modelo viável. O desenvolvimento das embalagens não se limitou ao design físico, mas considerou toda a experiência do usuário, garantindo fluidez no processo e eliminando barreiras à adoção”, concluiu Fábio.

(Fonte: Assessoria de Imprensa Braskem, 19 de fevereiro de 2025)

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